O Xamanismo na vida urbana – Parte 2

O Xamanismo na vida urbana – Parte 2

Por Athamis Barbara

Foto TamborMuitos pensam que para viver em tribo é obrigatório viver na natureza. É claro que fica mais fácil pensar em tribo quando todos estão vivendo da terra e onde todos precisam de todos. Na cidade das formigas e dos homens de ferro como algumas tradições se referem às pessoas que vivem nas cidades. Não, mesmo na cidade onde o ar é poluído, o ar existe. Os rios também poluídos, mas ainda correm e têm vida aquática. A terra ainda produz o alimento e o fogo ainda aquece e cozinha. Então o que o xamanismo pode nos lembrar é que se acreditarmos que nos elementos existe o espírito da água,da terra, do fogo e do ar, iremos nos conectar com o Grande Espírito, o Criador de tudo.

As árvores de uma floresta densa estão mais conectadas, mas as árvores da cidade têm vida também.

Não temos mais quase nenhum rito de passagem nas cidades, mas mais e mais existem estudos apontado que o uso de drogas ilegais e bebidas alcóolicas de forma desmedida é um necessidade do ser humano buscar a fecilidade e a conexão com sua alma. Daí, os ritos em grupo pode ajudar ao homem da cidade a se reconectar.

Nós vivemos 24 horas ligados a tudo pela internet, se quisermos. Mas também podemos aprender a parar e olhar para o céu e aprender a perceber sobre as diferenças nas estações. O serviço de meteorologia nos indica o tempo, mas somos nós mesmos que temos que entender como este tempo pode afetar no nosso humor e saúde. Sendo assim, podemos nos resguardar e entender que não estamos solares todos os dias e que tem época do mês em que parecemos uma lua miguante enquanto outros estamos plenos e resplandescentes como a lua cheia. Ou ainda, perceber que a lua afeta as marés mas também nosso humor.

Mais e mais pessoas quando ouvem falar de um ritual como a tenda de suor buscam nela uma conexão além da purificação que ela proporciona. Alguns veem aquilo como uma sauna indígena, mas muitos já entenderam a conexão com o espírito do fogo e o quanto os elementos nos unem ao nosso divino.

Quando alguém quer acessar seu divino interior procura uma roda de cura ao som do tambor e ela é levada a lugares outros que não a realiade comum. Ela pode voltar com respostas exclarecedoras sobre diversos assuntos e pode se tornar tão boa nesta técnica que com o tempo as pessoas a procurão para obter conselhos sobre suas vidas.

Pessoa vivem a solidão em seus apartamentos e estão sedentas de uma vida comunitária. Para falar com o Criador não precisamos estar em tribo, mas para sentirmos a força desta conversa estar em tribo pode ajudar muito. Então, muitos precisam desta comunidade que pensa e gosta da mesma forma de falar com o Criador.

Como falei, xamanismo não é uma religião. Trata-se de uma filosofia de vida e assim sendo, é possível conviver com diversas religiões sem que concorra com elas. Ainda mais no Brasil onde temos tanto sincretismo. Mas os ensinamentos das tradições nativas podem nos ajudar a viver melhor em comunhão com a natureza pois se existem um dogma nas tradições antigas é viver de acordo com seu coração e menos com a razão. Isso requer uma prática diária.

Os negócios e a vida na área urbana podem ser ajudados pelos valores como honestidade, humildade, verdade, amor, coragem e sabedoria. Eu aprendi da minha mãe que ainda viveu num tempo onde a palavra era mais forte que o papel assinado que se dermos nossa palavra ela vale mais que tudo.

Por isso eu digo que é possível vivenciar os ensinamentos antigos na vida urbana.

É claro que temos que adaptar alguns ritos ao homem da cidade. Nas tradições antigas as crianças eram ensinadas deste pequenos sobre os ritos pelos quais passariam e eles passavam a querer passar por eles, através do exemplo dos mais velhos.  Adquiririam direitos mas entendiam que aumentariam seus deveres para com aquela comunidade.

Uma criança aos sete anos fazia seu primeiro jejum de um dia inteiro e assim já se preparava para quando tivesse quatorze anos e subisse uma montanha para sua primeira busca da visão onde passaria 4 dias e 4 noites sem qualquer alimento ou água. Além do preparo físico, ele tinha a crença amparada pelos seus familiares.

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